Thursday, January 27, 2005

Amor

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A tua febre cortando-te os lábios que, em sangue, beijei até sentir o gosto dessa substância. O Sangue., as feridas. A minha mão, que de fria fez tremer o teu corpo já fraco que, na noite, se sentia mais porque era noite. O Sangue. E tu dizias-me - Vem, morre comigo. - As feridas. E enquanto eu mergulhava em pensamentos de dúvida, a chuva gritava pelo vidro do quarto em súplica. - Vem, morre comigo. - E a luz da noite não morria. Tu morrias. - Vem, morre comigo. - A chuva gritou mais alto na luz da noite que não morria. Tu morreste. Pálido, um fio de sangue correu o teu queixo enquanto os teus olhos contemplaram o tecto com eternidade. Tu morreste. O meu choro, como o da chuva que parou, assim, de repente. A manhã vivia. Tu não vivias. Mas eu esperei que acordasses. - Imóvel. - Não vi o punhal que agarrei pois estava cega pelas lágrimas. Tu não vivias. Eu morria. Naquele instante não houve mais gritos de chuva nem súplicas.



Eu morri.